Encontrar-me

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Hoje perdi-me.

Embrenhei-me por entre ruas e ruelas, sem olhar a mapas ou indicações. Apenas caminhar, num silêncio interno contrastante com a azáfama do trânsito e das vozes, dos passos apressados de tanta gente com quem me cruzei. A chuva empurrava-me para dentro das lojas, quentes e cheias, porque aqui parece que há sempre saldos… aproveitei bem as livrarias. Folhei as minhas amadas páginas de tantos livros que me interessavam ou evocavam curiosidade, simplesmente. Trouxe um.

Comprei um caderno especial para uma pessoa especial. Comprei canetas especiais para as minhas pessoinhas preferidas no mundo.

Já tarde, e meio perdida de horas e direcções, sentei-me num local bonito e pedi tapas. E ali fiquei, quase uma hora, sozinha, saboreando e deambulando entre as pessoas que observava e os meus próprios pensamentos. Pedi um café expresso e fui surpreendentemente recompensada.

Há uma abençoada liberdade no caminhar por entre uma cidade que não conhecemos e onde não conhecemos ninguém. Sei quem sou, quando sinto que não tenho de ser nada. E todo o dia foi um profundo reflexo disso.

Afinal não me perdi.

Depois de duas horas a andar, quando decidi regressar os meus passos fizeram novos trajectos, mas chegaram sem hesitações ao local certo.

Ao pensar que me perdia, encontrei-me.

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