Mulheres

No dia dedicado às mulheres – e não entrando na discussão vã de isso ser bom ou mau – pergunto-me sobre o feminino.

Não há respostas fáceis. Trabalhar o feminino não é assim tão diferente de trabalhar o masculino, a criança interna, a educação ou seja lá o que a nossa alma pede.

Trabalhar o feminino é estabelecer um relacionamento firme, leal, profundo, verdadeiro e enraizado connosco mesmas. E, ao fazê-lo, descobrimos a forma de ser mulher. As formas circulares de ser mulher, uma alma livre colorida e obscura, uma feiticeira que se combina com a mulher que leva os filhos à escola.

Gosto de mulheres reais. Aquelas que se atraem pelas vestes do feminino. Mas não são as vestes que as tornam mulheres. As mulheres reais limpam a casa, fazem contas à vida para que o dinheiro dure até ao final do mês, explodem de cansaço e tensão nos dias mais duros, adoram fins de semana de pijama no sofá.

As mulheres reais não dançam todos os dias em saias rodadas, com coroas de flores na cabeça. Não se sentem diferentes da vizinha do lado, da mãe, da irmã, da colega de trabalho.

Gosto de mulheres que vivem no mundo, que são tocadas por ele. Nos dias maus, com lágrimas nos olhos. Nos dias bons, de braços abertos para a vida e para o que lhes toca viver.

Gosto quando estas mulheres encontram espaço para ser, para estar. Quando se partilham nos mais profundos caminhos da alma, ou nas receitas de chá de gengibre. Quando escrevem acerca dos sonhos e da vida. Quando vestem as vestes que não as definem, mas que as enfeitam. Porquê? Porque podem.  E nada mais…

Gosto de mulheres que encontram espaço e tempo para estar menstruadas, mesmo quando o mundo não pára e as tarefas se amontoam. Que descem à profundeza das suas cavernas e permanecem no submundo. Por um tempo. E depois sobem até à vida comum, voltando a fazer cozinhados de domingo, pagamentos da luz e lavagem de roupa.

Gosto de mulheres que se dão  à vida. Às outras mulheres. Que honram a sua linhagem, e os caminhos que não seguiram.

Que conhecem os sussurros profundos das suas peles. Dos ecos das suas estórias. E que cantam baixinho, por entre linhas e pontos, à parte de si que o mundo não pode domar.

 

Circulo Transpessoal de Mulheres

circulo

“A tarefa que se impõe à mulher de hoje é sanar a parte ferida da natureza feminina que existe no mais profundo de si mesma e da sua cultura.”
Maureen Murdock

O trabalho com o feminino é a minha casa. Onde cresci e não sabia. Onde a adolescente em mim sonhou e abriu asas para um mundo mágico e fascinante que lhe ensinou de onde vinha as mulheres.

Onde me fiz mulher em busca dessa ligação ao útero-terra-corpo, que perdi tantas e tantas vezes, e encontrei tantas outras, sempre regressando a mim mesma.

Quando comecei a abrir este trabalho a outras mulheres, abri-me à vida. Cresci tanto, com as minhas irmãs que me acompanharam ao longo de anos e cursos e danças, lágrimas, descidas ao submundo, caminhadas pela serra e muito riso sanador.

Parei quando a vida me levou a outras descidas a mim mesma.

E regresso.

Com mais silêncio interno. Mais simplicidade. Uma vontade doida de voltar a ter nas minhas mãos as mãos de outras mulheres.

Um circulo é um espaço sagrado. A celebração do feminino é um processo de cura profunda. Nós, mulheres, sabemos disso.

E é disso que falaremos.

Mais informações aqui.

A Celebração do Feminino e o Despertar da Sábia

Um círculo de mulheres é uma oportunidade de crescimento e de partilha a níveis de profundidade quânticos. Neste círculo, queremos despertar a sábia interna, a mulher que aprende o poder do silêncio interno e que se acompanha a ela mesma. A que conhece o seu corpo e a sua intuição. A que não tem medo de atravessar emoções e sabe integrá-las na vida de todos os dias. A Conselheira da Comunidade.

Temas a trabalhar:
– O encontro com o silêncio interno
– Ciclos internos e externos
– A criança ferida e a criança mágica
– A minha mãe e eu: etapas da jornada feminina
– Os ancestrais
– O corpo e as emoções
– O masculino, o poder interno e a intimidade
– Misticismo feminino: o poder do símbolo

Os temas não serão fechados. Como círculo que somos, as próprias participantes trarão ideias para trabalho, através das suas vivências e curiosidades.

O trabalho terá uma grande componente vivencial.