Dança de opostos… ou nem por isso…

IMG_1043Ontem, depois de uma conversa sobre “o que é que eu faço na vida”, ouvi o comentário: “Bem, tu…. mas quantas coisas diferentes é que tu fazes?”

Sorri, dei uma resposta evasiva, porque não era o momento, nem o tempo. Mas a resposta dentro de mim foi um silêncio daqueles que fermenta qualquer coisa por dentro. Um conversa sobre cursos e aulas e o feminino e o coaching e sabe Deus que mais… E dentro de mim, só me apercebi há pouco, não havia grande divisão.

Recordo-me de um tempo em que tudo era dividido. Às segundas e quartas, eu era uma coisa. Às terças dedicava-me a ser outra. E por aí adiante. Sem conexões pelo meio. Sem deixar que um mundo se entranhasse no outro. Sem emaranhares… limpo.

E se calhar estava certo. Era o tempo.

Agora, não é bem a mesma coisa. Mas é quase… Todos os campos da minha vida se entrelaçam uns nos outros, todos se conhecem, todos me tratam por tu. Exactamente como o dia de hoje, em que se acorda com um sol brilhante e duas horas depois está prestes a cair uma carga de água, sem nos termos sequer apercebido da mudança.

Nas várias situações em que me vi num grupo em que ninguém ou percebia português, quando se faziam exercícios de escuta activa, eram os momentos em que me permitia falar na minha língua materna. E apesar de, fora do contexto, nunca ninguém perceber nada do que eu dizia, nesses momentos, ninguém perdia uma palavra sequer. Porque, e é verdade, quando sai de um determinado ponto de nós, a linguagem do coração é universal. E as palavras deixam de ter nacionalidade.

E é o que sinto, neste momento… hoje… agora, em relação ao que vivo e ao que faço. Podem ser linguagens diferentes, mas não deixo de ser eu, por isso não deixa de ser só uma linguagem. Cada espaço único não deixa de ser invadido por tudo o mais que sou.

E isto é válido para tudo o resto. Posso coabitar perfeitamente com uma tristeza profunda e um sentimento imenso de gratidão e sentido. Ou mesmo de felicidade. Estranhamente, nem sequer são paradoxais.

A dança da dualidade e da unidade fazem-se sentir em silêncio. E sinto-me aqui, no olho do furação. Isto também sou eu.

Ou então é a bipolaridade que se instala… 🙂 E não é que cá dentro, tudo faz sentido?

A vida ama-me

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Há dias em que o sentimos. Seja por aquele despertar dormente de leveza. Seja porque os ritmos decorrem como os pedi, ou sonhei.

Há dias em que nos sentimos parte de cada ramo de árvore. Em que o sabor da comida é mais intenso.

Há dias em que a tensão é tanta que o corpo se contorce em dores. E, num ápice, uma reviravolta transforma tudo em sorriso, gratidão e oportunidade.

Há dias em que me escuto e respeito. Encontro cada poro de tensão e medo. Ouço-me soluçar de memória e dor e anseio. E me abraço tão profundamente que me embalo. E a vida embala-me.

Há dias em que me lembro porque amo tanto cada inspiração desta existência e quanto amor habita as minhas células.

E ouço uma canção de amor no sussurro do vento…

(A caminhar para o dia 24…)

Os tempos do tempo

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Estes últimos dias mostram-se incertos, cheios de perguntas e névoa. Há um baile entre o Mistério e a rotina, entre o desalento e a possibilidade, entre o “azar” e talvez um recomeço que não permite meios termos…. e eu que sou a mulher das relativizações…

Custam-me as mesmas curvas do passeio, o observar do que não muda, ainda que algo mude. Custa-me a falta de fé ou a força de vontade, tanto quanto me custa a falta de compaixão por tudo isso.

Ainda assim, louvo profundamente os dias de consciência em que caminho. As lágrimas de comoção ou as tristezas do que (ainda) não entendo. As risadas. As compreensões de tanto que me separa da última vez que percorri estes passos de 40 dias.

Entendo que há uma nova forma de ver as coisas e, se antes era uma hipótese, agora é uma escolha. E por vezes esqueço-me de escolher.

Preciso de respeitar o tempo. O tempo do tempo. Criá-lo, desenhá-lo, dançar com ele. O tempo que passa e leva na brisa tudo o que não escolhi. O desperdício de todas as vezes em que não me permito ser quem sou.

Levo comigo aquilo que desejo encaixar no tempo e na minha vida. Cada vez mais claro. A cada dia mais vivo. Resta-me pura e simplesmente vivê-lo.

Café amargo…

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Hoje ficam perguntas no ar.

O pc avariou logo de manhã e tendo em conta o quanto uso o computador num dia, o caos instalou-se. Viva o Google Drive, a internet e todas as loucuras que a informação percorre. O que poderia ser terrível foi só… muito mau. Amanhã se verá…

Não deixo de pensar que este pc e eu nunca fomos melhores amigos e que ele ir ao ar num momento em que me é pedido para me questionar o que quero para mim é, no mínimo, curioso. Resta ver se a partir daqui reconstruo uma relação diferente ou… mudo de computador. Boa metáfora para a vida.

As perguntas do dia mexeram-me, remexeram-me, tocaram-me nos sonhos de criança e no que me faz vibrar. E é duro pensar como o que nos faz vibrar nos assusta. “Aquilo a que mais se resiste é onde temos mesmo de ir”.

Foi um dia estranho. Duro… e ainda assim não foi um mau dia.

Podia dizer que soube a café amargo. Mas a verdade é eu não ponho açúcar no café…

E faltam 35…

As portas abrem-se

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Ontem, num dia de viagem e com muito para dizer no que respeitam a crenças, tomadas de consciência e partilha, muito haveria por dizer. Mas ficou na mente e no coração, numas poucas linhas do caderno que o dia longo e a noite que caiu cedo me permitiram escrever. Ficam guardadas as memórias das crenças de exposição….

Hoje o dia despertou diferente. Com chuva. Com um pequeno almoço que não era aquele que eu tinha em mente e que me obrigou à expressão… rápido, assertiva e em espanhol. A uma tomada de consciência sobre as mesmas questões de sempre, ligadas ao sucesso e à exposição. E ao momento em que a vida se diverte, colocando-me como protagonista.

O título do dia… “As portas abrem-se”

E ao sair… eu “juro” que vi a porta de vidro aberta. Daí ter apressado o passo de forma confiante e batido estrondosamente com a testa na porta.

Depois das gargalhadas loucas que me arrancou o evento, tenho mesmo de repensar a forma como “vejo” o mundo.

E faltam 38…