(Re)escrever-me

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Esta quarentena onde me meti e que se entranhou em mim guarda, nestes últimos dias, um sabor doce, uma espécie de mensagem sussurrada pelo vento. Mal a ouço, não tem nitidez suficiente para se tornar numa pintura. É um sentimento, um arrepio na pele, um estado de espírito que estacionou aqui, pertinho do coração.

Como me (re)compor? Como me reescrever, para além dos tempos, quando me fascino e surpreendo com o que descubro neste novo eu, que não é assim tão diferente, mas já em nada é igual?

Há um silêncio novo, cá dentro. Que guarda pedaços de solidão com reverência e gratidão. Que absorve caminho e aprendizagem compondo peças de um puzzle. Que se ri sozinho, porque lhe apetece. Que desfruta do tempo e dos tempos.

Há uma forma mais intensa de saborear café e a vida. Mas também mais suave.

Há mais possibilidade e mais quietude. Há permissão para experienciar raiva e dizer palavrões. E para mudar de registo no instante a seguir. Há um novo olhar sobre o amor e o mistério. Menos fantasiado. E não menos sensual por isso.

Há uma sensação de “está certo”, ainda que no meio de tudo o que está errado. Ganhei o direito de estar feliz, mesmo quando não estou.

E nada disto importa, porque “isto também passará.” Mas também não me importo.

Por agora, respeito os meus passos. E isso chega-me.

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A vida ama-me

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Há dias em que o sentimos. Seja por aquele despertar dormente de leveza. Seja porque os ritmos decorrem como os pedi, ou sonhei.

Há dias em que nos sentimos parte de cada ramo de árvore. Em que o sabor da comida é mais intenso.

Há dias em que a tensão é tanta que o corpo se contorce em dores. E, num ápice, uma reviravolta transforma tudo em sorriso, gratidão e oportunidade.

Há dias em que me escuto e respeito. Encontro cada poro de tensão e medo. Ouço-me soluçar de memória e dor e anseio. E me abraço tão profundamente que me embalo. E a vida embala-me.

Há dias em que me lembro porque amo tanto cada inspiração desta existência e quanto amor habita as minhas células.

E ouço uma canção de amor no sussurro do vento…

(A caminhar para o dia 24…)

Aventuras no Reino da Magia

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Sem pó de perlimpimpim, nem tapetes voadores.

Apenas pela presença amorosa de mim para mim. Por despertar com aromas de eternidade. Por pensar em alguém que me escreveu no instante a seguir. Porque decidi passar o dia com as pessoas que amo. Em qualidade. Porque parei para me questionar sobre o sagrado. E quando fazemos uma pergunta, a resposta vem.

O Reino da Magia acontece sempre que o coração expande até às lágrimas. Magia, hoje, é presença e gratidão. E isso já é tanto…

E faltam 26.

Os tempos do tempo

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Estes últimos dias mostram-se incertos, cheios de perguntas e névoa. Há um baile entre o Mistério e a rotina, entre o desalento e a possibilidade, entre o “azar” e talvez um recomeço que não permite meios termos…. e eu que sou a mulher das relativizações…

Custam-me as mesmas curvas do passeio, o observar do que não muda, ainda que algo mude. Custa-me a falta de fé ou a força de vontade, tanto quanto me custa a falta de compaixão por tudo isso.

Ainda assim, louvo profundamente os dias de consciência em que caminho. As lágrimas de comoção ou as tristezas do que (ainda) não entendo. As risadas. As compreensões de tanto que me separa da última vez que percorri estes passos de 40 dias.

Entendo que há uma nova forma de ver as coisas e, se antes era uma hipótese, agora é uma escolha. E por vezes esqueço-me de escolher.

Preciso de respeitar o tempo. O tempo do tempo. Criá-lo, desenhá-lo, dançar com ele. O tempo que passa e leva na brisa tudo o que não escolhi. O desperdício de todas as vezes em que não me permito ser quem sou.

Levo comigo aquilo que desejo encaixar no tempo e na minha vida. Cada vez mais claro. A cada dia mais vivo. Resta-me pura e simplesmente vivê-lo.

Café amargo…

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Hoje ficam perguntas no ar.

O pc avariou logo de manhã e tendo em conta o quanto uso o computador num dia, o caos instalou-se. Viva o Google Drive, a internet e todas as loucuras que a informação percorre. O que poderia ser terrível foi só… muito mau. Amanhã se verá…

Não deixo de pensar que este pc e eu nunca fomos melhores amigos e que ele ir ao ar num momento em que me é pedido para me questionar o que quero para mim é, no mínimo, curioso. Resta ver se a partir daqui reconstruo uma relação diferente ou… mudo de computador. Boa metáfora para a vida.

As perguntas do dia mexeram-me, remexeram-me, tocaram-me nos sonhos de criança e no que me faz vibrar. E é duro pensar como o que nos faz vibrar nos assusta. “Aquilo a que mais se resiste é onde temos mesmo de ir”.

Foi um dia estranho. Duro… e ainda assim não foi um mau dia.

Podia dizer que soube a café amargo. Mas a verdade é eu não ponho açúcar no café…

E faltam 35…

As portas abrem-se

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Ontem, num dia de viagem e com muito para dizer no que respeitam a crenças, tomadas de consciência e partilha, muito haveria por dizer. Mas ficou na mente e no coração, numas poucas linhas do caderno que o dia longo e a noite que caiu cedo me permitiram escrever. Ficam guardadas as memórias das crenças de exposição….

Hoje o dia despertou diferente. Com chuva. Com um pequeno almoço que não era aquele que eu tinha em mente e que me obrigou à expressão… rápido, assertiva e em espanhol. A uma tomada de consciência sobre as mesmas questões de sempre, ligadas ao sucesso e à exposição. E ao momento em que a vida se diverte, colocando-me como protagonista.

O título do dia… “As portas abrem-se”

E ao sair… eu “juro” que vi a porta de vidro aberta. Daí ter apressado o passo de forma confiante e batido estrondosamente com a testa na porta.

Depois das gargalhadas loucas que me arrancou o evento, tenho mesmo de repensar a forma como “vejo” o mundo.

E faltam 38…