Abraçar-me

 

Abraçar-me shugem ser um bom dia. Sem ser o dia certo. Sem ter o que celebrar.

Nem sempre o consigo e muitas vezes nem me lembro de o fazer. Fica a zanga interna. A sensação do “podia ter feito melhor”. O dia que teve altos, mas cujos baixos apagaram a luz e nada deixaram.

Geralmente fica o discurso interno sobre as mil coisas que eu sabia fazer diferente. Ou as escolhas pelas quais não optei. Ainda o escuto, em sussurros, em apertos e pequenas descamações na pele e nos espaços vazios da alma. Podia escutar mais… ou evadir-me numa escapadela mental que me permitisse estar longe de mim até as vozes se calarem.

Só que, por um acaso somente, recordei-me de quem sou. E de onde estou. E do que quero. Um só instante que me permitiu abrir-me os braços e guardar-me dentro. A voz mais sábia que me sussurrou: eu sei quem és. E ser quem és chega. E amo-te, não importa o resto. Estou aqui para ti.

E chegou-me. O abraço que me dei e poderia não ter dado. As palavras que me disse e poderia não ter dito. A escolha de aceitar não ser perfeita. E ficar comigo.