Irlanda – onde me perdi sem me perder

Da chegada, ficou-me o  avistar da ilha através da janela do avião. O mar e o verde – tanto verde! – que se via até não poder mais. Em nada diminuiu a expectativa, ou o que eu esperava encontrar. Foi sempre neste verde que o meu coração pousava, desde que o sonho surgiu.

Aquilo que impacta logo, assim que se põe os pés nesta terra é o gaélico. Todas as placas são bilingues e o gaélico é inseparável do mágico, do místico. Pelo menos para mim. Por isso, cada placa é um estímulo a uma língua e um tempo que, um dia, me fez ter vontade de viajar para aqui.

Desde o primeiro dia, onde a ansiedade por não sei bem o quê, imperava, até ao último, nada me desfez a fantasia, a expectativa, aquilo que era um sonho por cumprir desde a adolescência.

“Toda a gente quer vir para a Irlanda” – disse-me o Rory, um dos guias com quem me cruzei. – “Pelo que sei, não é assim tão diferente do resto da Europa. Mas todos me dizem que é diferente. Que tem algo…”

“Sim… – respondo. – “Também não saberia explicar-to de outra maneira. A Irlanda tem algo…”

É difícil explicar uma viagem sem nada que explicar.

Talvez o silêncio em cada esquina, independentemente do barulho externo. A terra e o seu cheiro que falam connosco e nos contam estórias sem palavras. Os castelos, assombrados ou não, em ruínas ou recuperados, cheios de séculos e de sangue… cheios de deuses e de ancestralidade.

As estórias que ouvi, vinham misturadas de verdade e fantasia, cristianismo e paganismo, como se tudo tivesse lugar na alma daquela gente. Como se ir à missa e ter o cuidado de não tocar nas fairie-trees fizesse parte do dia-a-dia.

Na história do povo, contam-se torturas e invasões, guerras e pobreza. E, no entanto, há música e sorrisos, dança e educação. Toda a gente está pronta a contar uma estória, a beber uma cerveja e dizer uma piada. A vida é uma celebração.

Dublin, Galway, Kelarney… as cidades são belíssimas, saídas de contos de fadas, com o verde, os seus rios e as estórias.

A meio caminho lá parei para beijar a pedra do Castelo de Blarney, para a vida me garantir 7 anos de eloquência.

Mas é no nada que a Irlanda me cantou à alma. Na humidade fria da neblina, nos penhascos agrestes, nos montes e vales de verde e mais verde até perder de vista.

É impossível não nos escutarmos num local assim. E perdendo-me em cada oportunidade, fui-me encontrando todos os dias.

Os corvos acompanham-nos em cada passo, nada silenciosos, mas pertencentes ao antigo, e à magia.

A não esquecer a manhãs geladas a iniciar num qualquer Starbucks, com um capuccino na mão e o som dos Florence and the Machine a acompanhar  o quente e aconchegante sotaque irlandês.

E a biblioteca do Trinity College. Podia acampar ali por uns meses….

Voltei mais inteira, apesar de metade de mim ainda lá estar.

 

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